Hoje de manhã apanhei o autocarro do costume para ir para o emprego e, qual não foi o meu espanto, quando verifiquei que era um veículo ainda a cheirar a novo, todo xpto. Tenho de explicar que me admirei, porque os autocarros daquela carreira costumavam ser dos mais velhos que a empresa tinha.
Continuando, sentei-me e olhei em frente. Um enorme placard luminoso indicava qual a rua onde estávamos e, mais ou menos à semelhança do que acontece com o eléctrico de Belém, ouviu-se um toque e a voz de uma senhora que dizia, à letra, o que se podia ler no dito placard: próxima paragem: "erre ponto éme ó erre ponto soares".*
Os viajantes entreolharam-se, estupefactos e, uma vez que cerca de 80% das pessoas que apanham aquele autocarro são colegas, começaram a perguntar uns aos outros: "o que é que ela disse?"
Na paragem seguinte, mais do mesmo: próxima paragem: "pê ponto pê ponto couceiro".*
Entretanto, já meio autocarro se ria.
Finalmente, antes de sairmos, ainda pudemos confirmar que era a paragem certa: "erre ponto cê é ésse ponto verde"*.
Os tais oitenta por cento dos viajantes saíram a rir com gosto, deixando os restantes vinte por cento ansiosos por chegar à paragem seguinte para se rirem mais um bocado.
Enfim, acho que a intenção até era boa, mas para quem não é de Lisboa, a informação é inútil.
Mas faça-se justiça, algum proveito a inovação teve: alegrou a manhã de umas dezenas de pessoas...
*Tradução: Rua Morais Soares (R.Mor.Soares)
Praça Paiva Couceiro (P.P.Couceiro)
Rua Cesário Verde (R.Ces.Verde)
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