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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Braga - 5/18

Hoje venho relatar a viagem que eu e a minha filha fizemos a Braga. Foi no passado dia 2, quinta-feira. Saímos de Lisboa no expresso da meia-noite (que, na realidade, é das 00h15m) e chegámos a Braga por volta das 5h. A ideia inicial era dormir na camioneta, de forma a aproveitar bem o tempo para vermos tudo o que queríamos, já que tínhamos de regressar no próprio dia a Lisboa. Só que a camioneta era extremamente desconfortável e não conseguimos pregar olho. Como é evidente, chegámos a Braga um pouco cansadas. Mas nada nos conseguiria tirar o entusiasmo e boa disposição.

O primeiro monumento que encontrámos foi a Igreja do Carmo.

Tirámos uma foto, mas logo nos apercebemos que era demasiado cedo para tirar fotografias, pelo que decidimos começar a explorar a cidade, que tal como era de esperar, estava deserta.

Sentámo-nos um pouco a consultar o mapa para nos localizarmos, demos umas voltas pelo centro histórico e acabámos por descer até à estação da CP.

Ali perto, descobrimos a Capela de São Miguel-o-Anjo, que foi construída no século XVIII perto da Sé de Braga e mais tarde, no início do séc. XIX, deslocalizada, tendo ficado na zona onde se encontra por se ter entendido ser necessária uma capela perto da estação, para que os crentes pudessem rezar antes e depois das viagens.

Não a pudemos visitar por ser muito cedo e ainda estar fechada. Voltámos então a subir até ao Campo das Hortas.

Ao fundo, avista-se o Arco da Porta Nova.


À direita, a Casa dos Cunha Reis, ou Casa Grande, um solar de estilo barroco, construído no século XVIII.

Ao centro, a Fonte do Campo das Hortas. Construída no século XVI e colocada inicialmente no antigo Campo de Sant'Ana (actual Praça da República), só foi deslocada para este largo no século XIX.

De seguida, dirigimo-nos ao Campo das Carvalheiras, onde se encontra um dos  Cruzeiros da cidade.

Daí pretendíamos seguir até à Capela de S. Sebastião, mas devido a um "imprevisto" tivemos de desistir.

Por essa altura, já o sol tinha despontado, as pessoas tinham começado a aparecer e a cidade ganhou vida.

Voltámos então ao centro histórico e continuámos a tirar fotos.

Na Praça do Município encontra-se o edifício da Câmara Municipal, mais um belo exemplar da arquitectura barroca.

No centro da Praça, a Fonte do Pelicano.

Do lado oposto, a Biblioteca Pública, instalada num edifício do antigo Paço Episcopal.

Ali próximo, o Palácio dos Biscainhos, onde funciona o Museu Etnográfico e Artístico. 

Subindo um pouco, encontrámos a Igreja e o Convento do Pópulo, situados na Praça Conde de Agrolongo, também conhecida por Campo da Vinha.

Em frente podemos ver a estátua do Marechal Gomes da Costa.

Ao lado, o Solar Maciel Aranha, ou Casa do Gato Bravo.

Continuando a contornar a Praça, o Lar Conde de Agrolongo, do qual faz parte o antigo Convento do Salvador.

Uma vez que não estávamos longe, decidimos regressar à Igreja do Carmo, que ainda não tínhamos visitado, tendo aproveitado para tentar tirar uma foto minimamente decente.

Seguimos então em direcção à Praça da República, passando pela Igreja dos Terceiros.

No Terreiro do Castelo, a Torre de Menagem, que é tudo o que resta do antigo Castelo de Braga.

Já na Praça da República, a Igreja da Lapa, inserida na tão conhecida Arcada.

Mais ou menos ao meio da Praça da República, a Igreja dos Congregados. Na fachada principal podemos admirar as imagens de S.Martinho de Dume e de S. Filipe de Nery.

Atravessando a Praça, subimos a Rua de S. Gonçalo e chegámos ao Largo Mouzinho de Albuquerque, onde se encontra a Estátua de D. Pedro V.

No mesmo Largo, também conhecido por Campo Novo, a Fonte.

Continuando a subir, desta vez pela Rua das Oliveiras, chegámos à Igreja de S. Vicente.

De acordo com a tradição de Braga, a torre sineira encontra-se na parte de trás da Igreja.

Um pouco mais à frente, no Largo de Ínfias, a Casa de Vale Flores.

Descemos depois a Rua de Santa Margarida, passando pela Pousada da Juventude e pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica, até ao Largo da Senhora-a-Branca, onde se situa a Igreja com o mesmo nome.

Um pouco mais à frente, uma das mais belas igrejas de Braga: a Igreja de S. Vítor.

Por a acharmos tão bonita, arriscámos a tirar uma fotografia do seu interior, apesar de ser proibido. No entanto, por ter sido tirada sem flash, a foto  não consegue demonstrar toda a sua beleza.  

As traseiras, com a imprescindível torre sineira, que se pensa ser da mesma época da torre da Igreja de S. Vicente, dada a semelhança entre ambas.

Voltámos novamente pela Rua de S. Vítor, e pelo Largo da Senhora-a-Branca, onde encontrámos um novo Cruzeiro, muito semelhante ao do Campo das Carvalheiras.

Continuámos a nossa caminhada pela Rua do Raio, ao fundo da qual se avista o magnífico Palácio do Raio, que é actualmente propriedade da Santa Casa da Misericórdia e onde funcionam alguns serviços hospitalares.

Um pouco antes de chegar ao fim da rua, a Fonte do Ídolo, um monumento romano (santuário dedicado a um deus local), provavelmente construído no século I dC, que consiste numa fonte de água com inscrições e figuras esculpidas na pedra. Perto da fonte foram descobertos vestígios arquitectónicos que indicam que o santuário pode ter sido parte de um templo. É o único monumento romano de Bracara Augusta a ter sobrevivido intacto até aos nossos dias, sendo muito importante pelas informações que fornece sobre o culto de deuses indígenas na época romana. Infelizmente, devido à iluminação do local, não se conseguem perceber os contornos das imagens.

No Largo de Carlos Amarante, a lindíssima Igreja do Hospital de S. Marcos. Na fachada podemos ver a estátua de São Marcos. As restantes estátuas representam S. Simão, S. Bartolomeu, S. Tiago Menor, S. João Evangelista, Santo André, S. Pedro, S. Paulo, S. Tiago Maior, S.  Tomé, S. Filipe, S. Matias e S. Lucas.

Ainda no mesmo Largo, a Igreja de Santa Cruz. É uma igreja de estilo barroco maneirista, que possui no seu interior talha dourada invulgar, inclusive no órgão e nos púlpitos. O exterior é todo em pedra trabalhada com simetria central.

Subindo a Rua de São Marcos, encontrámos a Casa dos Crivos. É totalmente coberta por gelosias. Este tipo de janelas era utilizado a partir do século XVII em muitas casas de Braga, para obrigar os habitantes a um recato absoluto, de acordo com a religiosidade conservadora da cidade.

Daí, fizemos um desvio até à Avenida da Liberdade, com os seus belos canteiros de flores.

Descemos um pouco, para admirar o edifício do Theatro Circo.

De novo na Praça da República, decidimos ir ao posto de Turismo (que já se encontrava aberto) pedir um mapa da cidade, já que, no que tínhamos, não conseguimos localizar alguns dos monumentos que pretendíamos visitar.

Fomos então procurar a Capela de Nossa Senhora de Guadalupe. Subimos a Rua do Sardoal e lá a encontrámos. Mas o portão estava fechado e só a vimos ao longe. Uma pequena desilusão, depois da íngreme subida.

De volta ao centro, descemos umas escadinhas que nos levaram de novo ao Largo Mouzinho de Albuquerque, ao fundo das quais encontrámos dois simpáticos gatos e seguimos por diversas ruas até chegar ao Jardim de Santa Bárbara. 

Nessa altura o cansaço já era muito (cerca de 7 horas a andar de um lado para o outro, depois de passar a noite em claro), por isso, ao ver um banco de jardim, não pensámos duas vezes: sentámo-nos e foi ali mesmo que tirámos as fotos. Uma pena, porque o jardim é muito bonito e merecia melhores fotos e uma visita mais pormenorizada, mas estávamos mesmo muito cansadas...

Uma vez que a hora de almoço se aproximava, lá arranjámos forças para andar mais um bocado.

Passámos pelo Largo do Paço, com a sua Fonte dos Castelos. 

De seguida chegámos à Sé, pela qual já tínhamos passado de manhã cedo, 

tendo até tirado uma foto à Igreja da Misericórdia.

Entrámos, mas já não fomos a tempo de visitar o Museu, que entretanto fechara para o almoço.

Depois da visita à Sé, que é lindíssima e com muita pena de não nos terem deixado fotografar o seu interior, dirigimo-nos à Igreja de Nossa Senhora da Torre.

No mesmo Largo, encontra-se a Igreja de S. Paulo,

a Igreja da Cividade

e a “peculiar” estátua de... D. João Peculiar.

Daí, seguimos até à Casa dos Coimbras

onde nos encontrámos com o nosso companheiro de almoço, que nos levou até à “Frigideiras do Cantinho”, onde nos deliciámos com as típicas frigideiras e um refrescante sumo de laranja natural. De salientar que estivemos a almoçar sobre as ruínas romanas, que se encontram espalhadas por vários locais da cidade, só que ali podemos vê-las, pois o chão é de vidro.

Já refeitas do cansaço e de estômago confortado, continuámos o passeio. Como o calor apertava, decidimos ir até ao Parque da Ponte, onde se situa a Capela de São João da Ponte.

No entanto, o parque estava em obras, pelo que não o pudemos apreciar devidamente. Ficará para uma próxima oportunidade.

Ainda seguimos um pouco ao longo do Rio Este, que poderia estar um pouco mais cuidado,  

mas acabámos por regressar à entrada da cidade, onde voltámos a fotografar o Arco da Porta Nova.

Entrámos depois no Jardim do Palácio dos Biscainhos, onde ficámos até à hora da partida.

Já na estação do comboio, visitámos ainda as ruínas do balneário romano.

E pronto, eram 18 horas e o comboio estava prestes a partir.

Foi um dia muito longo e muito bem passado. Gostámos imenso da cidade, dos seus habitantes e dos seus monumentos e praças.

Factos que achámos muito curiosos:

- todas as igrejas onde entrámos tinham um órgão;

- a maior parte das cruzes das igrejas são diferentes das que existem em Lisboa;

- as torres sineiras são, em grande parte, por trás das igrejas;

- muitos dos locais de Braga são conhecidos por dois nomes diferentes;

- grande parte dos monumentos estava inicialmente noutro local e foram deslocalizados.

Conclusão a que chegámos: um dia (embora longo e muito bem aproveitado) para visitar uma cidade tão bonita e tão recheada de monumentos, praças e igrejas que vale a pena visitar, é muito pouco.

Por isso, decidimos voltar um dia destes. Porque Braga merece uma segunda visita.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

E que tal se tentássemos impedir a destruição da Mata do Estádio Nacional ?

Encontrei esta petição no blog da Smobile. Já a assinei. Não queres assiná-la também?

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Os corvos da cidade de Lisboa estão a desaparecer

Os corvos da cidade de Lisboa estão a desaparecer

Símbolo da cidade de Lisboa, o corvo tem vindo aos poucos a desaparecer  das áreas urbanizadas. Portugal é mesmo um dos poucos países onde as populações  desta ave inteligente estão a diminuir. E nada está a ser feito para as proteger.

Sabia que os corvos que se alimentam de sementes difíceis de partir as atiram para o meio de uma estrada e esperam que os carros as esmaguem para então as comerem? Ou que algumas espécies são capazes de fabricar e utilizar pequenos instrumentos para alcançarem uma refeição desejada?

Apesar das surpreendentes provas de inteligência, o corvo, um dos símbolos da cidade de Lisboa é cada vez mais raro de observar nos céus da capital. O uso de venenos e pesticidas e o abate ilegal são as razões para a diminuição do número de exemplares. Portugal é mesmo um dos poucos países da Europa onde a espécie continua a regredir, de acordo com um estudo da Birdlife International.

Não está em vias de extinção, é verdade. Mas aparece no Livro Vermelho dos Vertebrados como 'Quase Ameaçada', não se sabendo ao certo o número de casais existentes em Portugal. Estima-se que sejam menos de dez mil indivíduos.

"O corvo é uma espécie muito importante, mas não é das mais ameaçadas e, por isso, com os escassos recursos afectos à área do ambiente e conservação, não tem sido uma prioridade", diz Gonçalo Elias, que faz observação de aves há mais de 20 anos e que, no ano passado, lançou um portal na Internet, - Avesdeportugal.info - com informação sobre mais de 400 aves.

Em Portugal, o corvo, embora cada vez mais raro, pode ser visto em diversas zonas, com excepção daquelas mais densamente povoadas. Em Lisboa, por exemplo."Só encontramos corvos no cabo Espichel e no Algarve o mais comum é vê-los no cabo de S. Vicente". No Interior têm uma distribuição mais contínua.

Fazendo jus à sua faceta mais oportunista, o corvo adapta-se com facilidade a vários habitats. Tanto pode ser encontrado em zonas quentes do Mediterrâneo, como nos climas frios do Norte da Europa.

"Uma das razões que leva a maior parte das aves a migrar é a falta de alimento durante o Inverno. Os corvídeos, de modo geral, não migram; alimentam-se daquilo que encontram, vão variando de dieta ao longo do ano", explica Gonçalo Elias.

Os corvos são principalmente necrófagos, embora se alimentem também de pequenas aves e mamíferos, numa dieta que inclui ainda ovos, caracóis e cereais. Devido aos seus hábitos alimentares e ao negro brilhante das suas penas, são vistos, na mitologia, como portadores de maus presságios, surgindo muitas vezes associados a bruxas e feiticeiras. E à morte.

Algumas lendas contam que quando uma pessoa morre, um corvo carrega a sua alma até ao paraíso. Por isso, dois corvos figuram nas armas de Lisboa, pousados numa caravela, um à proa e outro à popa, vigiando o corpo de S. Vicente, o padroeiro da cidade, durante a viagem dos ossos do santo desde Sagres até Lisboa.

Aliás, não há muitos anos, era comum ver corvos nas tabernas dos bairros típicos da capital, passeando impávidos pelos passeios ou imitando as vozes dos clientes mais habituais.

Hoje, temido e mal-amado por muitos, o corvo é muitas vezes morto pelos caçadores e agricultores sem qualquer razão ou por simples prazer. "Os agricultores, confundem corvos com gralhas, e em muitos casos, por não simpatizarem muito com estas aves, acabam por abatê-los, mesmo sendo uma espécie protegida", salienta Gonçalo Elias. Por outro lado, a utilização intensiva de pesticidas na agricultura acaba por ser responsável pela morte de muitas aves, que absorvem os venenos através dos animais de que se alimentam.

"Os corvos, tal como outros aves necrófagas, têm um papel muito importante no equilíbrio ambiental", lembram os biólogos. Mas os poucos estudos feitos sobre a ave mostram que, em Portugal, pouco ou nada está a ser feito para proteger a espécie e evitar que os corvos se juntem à lista negra das aves em extinção.

Devíamos seguir o exemplo da Inglaterra, onde a ave é protegida pela própria rainha. Sempre que um dos famosos corvos da Torre de Londres morre ou desaparece é obrigação da Guarda Real proceder à sua substituição imediata. Tudo para que não se realize a profecia: Londres desaparecerá quando, na Torre, morrer o último corvo.

Muitas subespécies poucas diferenças

Na Península Ibérica habita o Corvus corax hispanus, uma subespécie que se distingue do mais comum Corvus corax corax pelo tamanho, uma vez que "os animais do Norte da Europa tendem a ser um pouco mais robustos para melhor lidar com as condições adversas", explica Gonçalo Elias. Mas a verdade é que entre as diversas subespécies - e em todo o mundo existem mais de 40 - as diferenças não são geralmente muito claras, nem mesmo em termos de plumagem já que visualmente são todos pretos. "Estão relacionadas com pormenores como o tamanho das patas ou das asas e outros detalhes morfológicos apenas distinguíveis com as aves na mão." Os corvos vivem em bandos com estrutura hierárquica bem definida e formam, geralmente, casais monogâmicos. A sua alimentação é omnívora e inclui pequenos invertebrados, sementes e frutos; podem ser também necrófagos. O corvo é o maior de todos os corvídeos, chegando quase aos 70 cm de comprimento. Tem um bico forte e curto, e uma "barba" hirsuta, que o distingue da gralha, também um pouco mais pequena.

 

MARIANA CORREIA DE BARROS, 05 Julho 2009, in Diário de Notícias.

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